quinta-feira, 31 de julho de 2014

Feliz aniversário

Sozinha aqui, como sempre. Transtornada, meio trancada, meio aberta. Raivosa em fúria titânica. Toda armada, toda exércitos. Desfragmentando as espadas do meu HD. Levemente chateada com essa juventude na cara e essa velhice a gritar no peito. Odiando essa veste rígida, olho no espelho e não me enxergo nunca. Não sou essa. Essa não sou eu. Tenho ainda alguns segredos valiosos e guardo tudo calada: é meu carma. Às vezes, grito com os outros seres humanos, firo a mim mesma com as unhas, arranco os cabelos até me cansar. Inspiro afundando o pulmão. Expiro rasgando o pulmão. Até poder descansar. Até me sentir próxima, e digna, do sono. Até conquistar o direito de sonhar outra vez.

"Eu sou uma contradição
e foge da minha mão
Fazer com que tudo que eu digo
faça algum sentido"

Rosto pálido com olhos ardentes. Ainda sou um animal sempre pronto para o ataque fatal. O inimigo tem muitas faces e não me importa. Contra si mesmo, dentro de si, a guerra é moto-contínuo. E, se ninguém tem uma guerra interna, como entenderão uma veterana de bombardeios? A linguagem da guerra é a mais difícil de ser esquecida. Porém, a mais fácil de ser aprendida. E digerida. Mil bombas internas de mil sabores. Delícia me deitar sobre meus pedaços. Autoflagelação. Autocanibalismo. Fagocitose.

"Memórias não são só memórias
São fantasmas que me gritam aos ouvidos
Coisas
que eu não quero nem saber"

Mora algo disforme, profundamente intrincado na minha alma. Um monstro que me observa com um olho só e muda de forma pra me atormentar. Às vezes, tenta tomar conta do meu corpo inteiro, roubar minha voz, meu lugar. É uma sombra que invade meu espaço, minhas vistas, meus sonhos e é o criador de todos os meus pesadelos.

Ninguém entende quem vive na guerra. Aqui dentro a porrada estanca e ninguém vê.

Às vezes, essa massa estranha se revira em algum órgão, um duplo-fígado, um terceiro pulmão me sufocando, forçando o diafragma e roubando meu ar. E ri, ri, sobretudo gargalha do meu desespero. Presa nesse absurdo de um dia feliz.

Esconderam-me nessa roupa de carne, gordura, fluidos. Eu vejo dentro dos meus olhos, minha verdadeira forma presa, agastada à alma, enfraquecida pelo coração azul de energia e carne.
Alguma fé sempre me queima, a verdade me rouba as forças, a humildade me derrete e somente o amor me destruirá de vez.
A vaidade me fortalece, a mentira me deixa criativo, a raiva me energiza e o ódio me dá existência.

(gargalhadas)

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A última palavra é sempre minha. A alma sempre se cala.

Feliz aniversário!

Um comentário:

Naaman disse...

Feliz Aniversário!!!!!!!!!!!!!!!! Te amo!!!!!!!!!!!!! Beijão!!!!!!!!!!!!!