quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Diante da janela

a lágrima baila
à beira da pálpebra
beijo o segundo soluço
não respiro de nariz entupido
encaro meus olhos vermelhos
no escuro

a lágrima se arrebenta
à beira do lábio
seguro o soluço,
o desamor e o desalento
agarro os travesseiros
com quinze braços e vinte pernas
encaro a dor de cabeça
e o absurdo

a lágrima inexata
cai na borda do seio
depois resseca silenciosamente
sem contar histórias
nem demonstrar meus desesperos:
morte, desejo, pecado.

a lágrima baila feito uma sombra
perpetuando minhas dores
na cama, no sono, nos meus travesseiros
a lágrima descansa,
ressecada em meu peito.

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