quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Retorno do corsário

Tua palavra dionisíaca devora meu obscuro desejo
numa sublime overdose da tua imagem.
À minha frente, meu desejo dorme
em seu rosto refletindo-se divinamente
as ruínas circulares da arrebentação marítima
dos teus infernais sonhos.
Tuas mãos poderosamente doutrinando
meus objetos fora de lugar
entre fígados alheios e estômagos absurdos.
Meu baço desarrumado enleva o poema.
Meus pulmões melancólicos despejam
o infinito no coração eternamente despedaçado:

sou toda paixão
derretida, languidamente, na tua imagem
sonambúlica, apavorante.

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