terça-feira, 16 de setembro de 2014

Carta

Jack,
meu ego excita o teu como legítima defesa. Não te envenena porém. Abraça-te, atacando teu pescoço voraz e apaixonadamente. Encaramo-nos, viris seres da mesma raça, escravos promíscuos do mesmo desejo com nomes trocados. Obrigações prestadas apenas aos reis de nossas barrigas, sobre torres de marfim nos alojamos, inócuos ao sistema de coisas. Eu, lúcida e pálida. Você, louco desvairado entre as trevas alcoolicas e o coração disparado entre as luzes da cidade.
Não me iludo, você é a venda que atrapalha minhas retinas demoníacas. Meu olho degladia com o teu, impassível obscuro, selvagem semente da terra. Teu coração de carvalho, enterrado sob a Bretanha inteira. Irrito-me, calo-me e dane-se: amo-te.

                                                                                       Diana

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