terça-feira, 16 de setembro de 2014

O urso, o lobo, a raposa

A razão se retira. Não faz mais sentido a continuação da escrita. Ao menos por ora, pago alto preço por estas confissões. Eu queria deitar meu corpo cansado nos braços de três guerreiros cansados. Os nomes ecoam na floresta como uma canção das ninfas: John, Lancelot e Jack. Meus recados levados pelos ventos às guerras nos litorais de nada adiantam. Os três batalham em seus corpos abandonados ao acaso, à morte, ao caos.
Meu coração pranteia por seus espíritos abatidos. Minha razão está calada, encoberta pela sombra da lua cheia. Meu espírito se debate em dores lancinantes por meus três amores, as três estrelas que brilham na minha fronte.
Meu passado dolorido carrega o brilho dos olhos de John.
Meu pretérito imperfeito é o abraço dos mil braços de Lancelot.
Meu futuro do pretérito em chagas abertas do coração de Jack.
Encaixo vocês, meus pequenos deuses, em mil personagens difusos, mas não os conheço e não conhecerei vossas divinas verdades.

O amor é uma intermitência de explosões solares. Paixões vulcânicas escalo, esfolando meu corpo em tantas pedras. Não chego aos fins. Morrerei só porque permaneço em mim, platônica medrosa, escondida em cavernas carregando o coração como bruta pedra de tropeço.

Nenhum comentário: