segunda-feira, 8 de setembro de 2014

revolução

beijo a pedra abissal:
tua vulcânica saliva
corrói nostalgias.
uso as palavras
roubadas dos livros
me preocupo
com
tudo voltado para mim
sem nenhuma sutileza.
corto o texto
e jogo aqui
aos pedaços:
migalhas de sintaxes.
sou agramatical
construindo frases inteira-
mente quebradas
sem sentido.
olho na esquina das paredes
tua humildade sintática
deslizando pelo quadro negro.
teu giz
surdo.
um milhão de explosões
amanhecendo nos horizontes
das línguas ágrafas.
eu ouço os mantras.
tu escutas
diagramas musicais.
discordo dos teus sorrisos.
tuas estantes
guardando estes mistérios.
da linguagem,
entendo muito pouco:
arrisco-me nestes labirintos
das tuas vozes,
milhares de vozes
ecoadas
nas esquinas semânticas
das paredes.
eu não sei nem o que sou
ou se tenho que ser
ou se tenho que saber
ou se tenho
ou se.
repito.
uma tulipa branca no bolso do guardador de rebanhos.
uma rosa amarela no coração de dom quixote.
eu não sei o que aconteceu comigo.
coisas que escrevo
guardadas num baú antigo
valem menos que um centavo.
repito.

jibóias, sucuris,
uirapurus.
demandam mil desejos
como folhas enlameadas.
repito a perda.
caio no silêncio
e aí
permaneço.

3 comentários:

Vanessa Vieira disse...

Que lindo Mariana!
Poesia intensa! Adorei! <3

Um abraço pra ti!
Vanessa Vieira
Pensamentos valem mais que ouro

Mariana Figueiredo disse...

Obrigada pela visita ao Galpões, Vanessa!
Seja bem vinda! E agradeço pelo comentário.

Um abraço e volte sempre.
Mariana

Mariana Figueiredo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.