segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A rosa

tenho algum segredo
que guardei inté de mim
e escondi o danado tão bem
mas tão tão bem
que me perdi dentro
e afundei todumavida
inteira

e de rezar o terço
não me salvei da desdita
o santo vê o cansaço mortal
não guarda oração preguiçosa
e nem aquele que dorme na hora da ave-maria

cochilei na palestra de jesus
sobre as bem aventuranças
me engano
que a sintaxe é falsa
sem dinheiro
me preservo das humanidades
olhar alheio tragicômico
do meu nariz de palhaço
na praça dançando
sozinho
o olhar marítimo me invade
feito onda de rádio e tv
passando na pele feito faca dentada
rasgando aos bocadinhos
o pão do desejo

aprecio marulho de coração
cansado
tédio alheio não me afasta
tenho o meu, plácido e sombrio
incompreendendo tudo
sem entender de luzes
nem de trevas
pendurei um espelho na parede
encontrei um caminho
escrevo para não morrer
de amar tudo.

mermo odiando, ainda amo
grito amor
odeio
e brigo e arranco os cabelos
e quebro pratos
e sangro de amar tanto
sem encontrar ninguém.
ódio não sangra
culpa não mata
vejo amor em tudo
por mais que o mundo me estrangule
as retinas
eu sei que

nonada...

se ainda faço mistério
construindo segredinhos
mermo que me perca
na estrutura
depois a interrogação prazerosa
desvela:
Vem e vê.


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