segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Adeus

Colho no vento teus assombros
calo-me, baixando os olhos
evito o encontro com os teus.
Fujo das tuas incógnitas de combate,
dos teus desmedidos abraços,
da tua mente barulhenta guardada
em lábios fechados.
Escrevo porque me conheces.
No teu panteão de ideias mortas
sou carta marcada.
No teu pavilhão de ideais tortos
inaceitáveis dilemas
confessas ao pé do meu ouvido
nas aritmanhas do barulho público.
Em sonhos compartilhados
sem sabermos,
o destino confessa que mantém
teu lugar vazio ao meu lado.
Requento o feijão de ontem
esperando tua volta.
Meu samba é o fantasma
da tua memória esbaforida.
"Mas logo ela
com esse gingado no poema?"
É uma farsa o meu lamento,
minhas lágrimas açucaradas de amor
e minha tristeza é toda, toda calculada.
Na verdade, estou só rindo.
E teu assombro nada percebe do meu deboche.
Tua sombra mística não percebe
meu olhar de dervixe.
Minha saia sagrada encobre todos os meus segredos
só meu quadril ameaça desvelar meus mistérios.
E eu, só rindo ali naquela esquina, tá vendo?

"Olhos nos olhos
quero ver o que você faz
ao sentir que sem você
eu passo bem demais
E que venho até remoçando
Me pego cantando
sem mais nem porquê
E tantas águas rolaram
Tantos homens me amaram
bem mais
e melhor
que você"

Quando te abraço meu perfume te desconsola
Invade teus tormentos, arrebenta teus abismos
E meu vestido é o que cobre o teu vazio
Sou um vento de primavera antiga
Promessa de salvação, de vida e cura
E eu era aquela que cuidaria das tuas feridas
Aquela verdadeira, a bela, a mais querida
Eu era a tua conversadeira favorita
de sorriso largo e gargalhada aberta.
Aquela que sabia tuas referências
que leu tuas mãos, conhecendo rotas
vestígios de saudades e caminhos
e sabia discordar das tuas filosofias
do início, meio e fim.
E te deixava sem graça
só com um sorriso
na cara.
Você tem saudade do que nunca conversamos
os assuntos que nunca tratamos
as filosofias que não quebramos
os autores que não criticamos
Você tem saudade do que nunca vimos juntos
as noites de lua cheia
os beijos que nunca demos
as cervejas que nunca bebemos
aquele abraço que nunca demos
no meio da madrugada...

Em você, meu verão seria pleno:
sorte, saúde e amor.
E você ficaria feliz
deitaria no meu colo num ameno fim de tarde.
Nós diríamos "carpe diem" e sorriríamos
de verdade
em todas as fotos.

Gosto de você. Sem mágoas, nem ressentimentos.
Gosto de você. Mas é só.
Meu amor por você definhou.

"Olhos nos olhos
quero ver o que me diz
quero ver como suporta
me ver tão feliz..."

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