quinta-feira, 25 de junho de 2015

Édipo

Vivo numa arcana teoria
de viver a ironia da ironia,
derramando meu sarcasmo como mel
ao relento
enquanto as abelhas pálidas
caem nas dionéias dos meus pesadelos.
Naquela sala
escondo meu potencial imaginário
e embaixo de sua saia,
mamãe me guarda com carinho
inigualável.
Vivo numa ironia arcana
sob um sorriso imaginário
E com as barbas de molho eu peço:
vão pra casa do caralho!
Naquele dia
ela vomitou meu quarto inteiro
infectou minha vida inteira
falando em versos azuis.
Vivo numa desdita ironia
sob um teto maravilhoso:
as cortinas que mamãe costura,
as comidas que mamãe faz,
as roupas que mamãe lava.
Naquela noite
ela beijou meu corpo inteiro
e eu só pensava em matá-la
se vomitasse
no meu lençol maneiro.
Vivo morrendo entre estas paredes
no quarto ao lado
ela dorme efêmera
guarda os olhos sob o rivotril
e esconde o dinheiro na lata de biscoitos.
Naquela noite
no meu quarto sem porta
ela ouviu meu lamento surdo
bebeu o álcool da casa inteira
agarrou os baldes verdes de mamãe
e encheu de amor covarde
meu mundo inteiro.
Vivo sentindo vergonha
alheia
de sequer olhar
pra cara dela.
Aquela nojenta
de cabelos despenteados.
Em seus lábios vejo o desespero escorrendo
azul feito seu vômito
espalhado pelo meu quarto inteiro.
Ela gritava:
Vomito o amor que sinto por você.
E eu sentia pena do meu lençol.
Ela berrava:
Eu te amo.
E eu queria jogá-la na rua.
Ela tentou me beijar depois
disso tudo
E eu disse que nunca mais.
Seus olhos de vômito me encararam no escuro
depois dela abocanhar meu pescoço.
E eu pensava em meus lençóis.
E eu pensava em meus lençóis.
E eu pensava nos seios
de mamãe...
escondidos na obscura paz
rivotrínica
do Absurdo.

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