terça-feira, 1 de setembro de 2015

Getsêmane

você nascia poeta
de boa família.
Eu, em cuia pra comida de bicho.
você estudava em Roma
no Egito aprendi a Vida Eterna.
você escrevia belos poemas
que seriam esquecidos.
Eu falava de amor no meio da rua.
você dedilhava sua lira...
eu multiplicava pão pra uma galera faminta
e depois peixe. E depois amor.
você dormia.
Eu orava num jardim escondido.
eu era traído e subjugado e humilhado
você sorria para as visitas.
eu implorava por meu Pai
que nunca vinha.
minha Mãe também já desistia
e entreguei minha alma.
numa passeata
manifesta-se, nos abandonados,
meu divino silêncio.
você... ah... você sorri para as fotos.
/belize/

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