segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Pavio curto

Se deixar
saio correndo
varada pela vida

Se deixar
não paro
em nenhuma esquina

Se deixar
brigo com meio mundo
saio no braço
com qualquer um

Se deixar
arranco olhos com colheres
quebro pernas com pernas de 3
grito até as cordas vocais
estourarem

Se deixar
explodo o mundo
escarro na cara do touro
soco, tiro, porrada e bomba

Se deixar
falo todos os segredos que sei
conto todas as loucuras que ouvi
espalho as mentiras que usei

Se deixar
cuspo na cara das autoridades
bato de frente com polícia
dou voadora na cara do machista

Se deixar
esgoto todas as forças no inferno
da fuga
de qualquer autoconsciência

Se deixar
meu coração vira pedra
a poesia desaparece
viro bicho

Se deixar
escarneço do sofrimento alheio
chicoteio os pedintes
reviro os olhos para qualquer causa
vou embora daqui

Se deixar
retrocedo de tudo que aprendi...

Se deixar
não saio mais de mim.
terceira guerra mundial
dentro do ego imortal
e tirânico.

Se deixar
a destruição me consome
e, feito vela de pavio curto,
queimo a vida a largos passos...

Se deixar
me consumo em dinamites
e, dentro de mim,
só restarão cinzas,
desgosto e arrependimento.

Agora
não posso deixar. Me deixar.

Caminho
bambeando
pelo meio.
Segurando no galho mais fino
da árvore da vida...

Amém.




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