quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Ao Bauman

Meu amor não é líquido
É pedra, rocha vulcânica
meu coração de lava e cinza
Meu  amor sufoca, é impaciente
quer tudo agora e quer tudo hoje
Meu amor é denso, é fel e mel
É lua, é eclipse, é estrela
Elipse
Meu amor é gêiser
o coração em profundidas aterradoras
e a voz explode e some
aparece e desmonta tudo
Meu amor não é líquido
É único para uma pessoa só
Te tira do quarto, te leva pra rua
vamos andar de mãos dadas
olhar a poeira da estrada passar
sentar no meio-fio e falar
falar. falar, falar... falar.
Meu amor não é líquido.
Não escorre feito tinta de parede
Não se encolhe quando gela
Não diminui quando se retira
Não some quando o calo aperta
Não abandona quando a cruz é pesada
Não larga quando está cheio
Não briga quando vê algum defeito
Não se enche quando há palavras demais...
Meu amor é pedra enorme
fundada na terra profunda do início do mundo
e existe antes mesmo de eu chegar aqui
Meu amor é trágico, dramático, exagerado, montanha mágica
Meu amor é história, romance, aventura, poesia
Meu amor não tem gênero, classe, dinheiro nem carro do ano
Meu amor não vence guerra nem mata tirano
Meu amor pega ônibus
Meu coração é todo meu corpo.
E, se o corpo é sagrado...
Então meu corpo te sacraliza
te absorve mesmo à distância
te engole mesmo em sonho
te frui diante de qualquer tom...

Meu amor não é líquido.
É pedra de iniciação.

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