sábado, 31 de outubro de 2015

Chá desconhecido

assim, de madrugada, parece que encontro melhor as palavras
embora eu quisesse tudo num ritmo diferente
uma voz diferente, um silêncio outro
de ouro,
como não tenho, vão as palavras que estão disponíveis
no dicionário austral da minha cabeça.

será que aqui bastaria meu silêncio
enquanto as mitologias batem nas janelas
da minha memória?

e a pedra falando
ao meu útero:
"açúcar que me amarga
a língua ressabiada de cantar
água salina mais doce que mel
me invade os espaços entre acordes"

início, depois fim do mundo
quando desperto e te perdi
manchado de sonho
fugidio pela varanda, esvaindo-se.

começo, depois desperto
falo mil vezes pra não esquecer
e teu nome ecoando
esqueço do café

nas barras das minhas saias
bordarei teu nome sacrossanto
e andarei te arrastando aos meus pés

no bojo do peito esquerdo
será colocada a foto
pra ouvir meu coração batendo teu nome

e, no cabelo, uma flor
com teu perfume
desconhecido.

Onde será
que perdi minha xícara de chá?






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