sexta-feira, 30 de outubro de 2015

eu sou 157

roubo seus títulos
roubo suas palavras estranhas
seus neologismos
suas referências
suas fotografias

roubo seus cds das lojas
roubo as entrevistas que você
pacientemente dá
roubo sua imagem dos vídeos
dentro do youtube

roubo um dia da sua vida
roubo algumas letras da sua grafia
roubo as ideias que adivinho
roubo teu silêncio

roubo os acordes que não sei imitar
roubo as letras que não identifico
roubo qualquer coisa
na qual eu identifique
a tua identidade

roubo a areia que você pisou
roubo o toque na fotografia
o lépido instante do teu dedo
na minha pele
tua fragrância fugidia
antes que eu feche
o frasco
antes que eu tranque
antes que eu tranque
antes que eu tranque

a tua beleza
a tua música
a tua letra
o teu prodígio

antes que eu me tranque
minha cabeça gira
pelas tabelas
pelo aterro do flamengo
pelas areias de copacabana
pelo leme, leblon, aquelas praias estranhas
lugares obscuros
meus desconhecidos
rumos tão longínquos
com essa passagem a 3,15
é foda de te caçar
em teu habitat...

um dia, me encanto
e me escondo
dentro do teu violão
roubando quem sabe assim
uma música só minha
e morrendo afogada
na tua lágrima
perdida.

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