quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Olho direito

foi em fevereiro
e ainda era verão abafado
mormacento o dia caía feito a promessa de deus
e as sarças eram minhas roupas
depois que vi a montanha desmoronar
o vulcão da cidade gritou
o céu, de azul, virou toró
e depois do vento
eu fui embora pelas estrelas a pagar pedágios
fugindo da terra estranha que se eletrificava
hoje é raio, trovão, ventania e saudade
guarda pra mim um pouco do dia...
guarda pra mim um pouco da noite
num pote de sorvete
congela
que eu como amanhã no almoço
foi em março e já era outono
quando eu plantei o lume solto da poesia
na parede fria do shopping novo
e depois amarraram as mãos de deus
e enterraram o jato do pixo
bem no olho direito dele.
Osíris via tudo
muito cálido.
E amanheceu o avô, furioso.
Juntei as tintas e enterrei...
Nasci da pintura de Hórus
e assim reencarnarei.

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