sexta-feira, 30 de outubro de 2015

repeat

sinto que tô sozinha aqui
ouvindo a mesma música há horas
tão tensa que tô tendo bruxismo
e não tem nada a ver com a data
de amanhã

sinto que tô fora desse momento
em que você tá em algum lugar
que eu não tô
e como anda esse violão aí
sem mim?

a ponta da unha
descamando
a lixa quebrada na
estante
o tapete empoeirado

as aulas que deu no dia seguinte
como foram?
diante dos desacontecimentos,
tudo marchando como se deve?
as festas ainda estão
celestiais?
o Pão de Açúcar canta ainda
ao teu desejo?

a ponta da tua unha
batendo na beirada da mesa
e meu chá sem nome
ativando meu cérebro
os olhos esbarrando nos braços
que atrapalham os encontros visuais

eu vou ter poemas por milênios
pra escrever.

tua única covinha
fica do lado esquerdo...

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