terça-feira, 20 de outubro de 2015

trauma

à noite, eu sonhei com montanhas raivosas
nada parecidas com as que o bardo cantava
nuns séculos perdidos por aí...
mal lembro o nome dos poetas que meu professor falava
as aulas dele eram nas sextas feiras
e eu só queria ir embora, embora, embora de tudo
depois fui descobrir porque queria tanto
bater aquela porta na cara dele
bater a cara dele naquela porta
bater com qualquer coisa em qualquer coisa
e sumir puf feito pluft
e ter a foto posta nos sensacionalistas com suspeitas
de desaparecimento súbito e nada demais
porque eu estaria na casa antiga dormindo feito pedra[totalmente es
quecida da teoria literária o que é para que serve]

...
aquele alemão me enganou direitinho...
porém hoje, desiludida, me bastam os pôres-do-sol,
sorvete de chocolate e alguma música brasileira...
as páginas lidas com afinco,
as provas enlouquecidamente feitas,
toda capacidade dada com tanto fervor...
a discípula... a aprendiz... a apaixonada pelos teóricos todos...
foram embora porta afora...
há algum tempo.
...

rasguei os últimos papeis hoje.
e os últimos livros foram dados de presente.
[menos os com alguma dedicatória congelada]
os engodos foram descobertos
as verdades puderam respirar
minhas e tuas.
e, até que nos encontremos novamente...
tenho muito o que fazer.
...

Reconstruindo todo o tesão de pesquisar
que não seja por ti.
Agora, o que há
é apenas o eu e a pesquisa.
Sem... intermediários.


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