sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Ao escritor desconhecido

quando te vi
foi em sonho
minto, pesadelo
eu, afogada,
brigava com
as águas
das icamiabas.

você na palafita
fitava meu grito
não mandava corda
nem sorriso

fumava cigarro
de palha
e lia um livro
do qual
não vi a capa

quando te vi
foi num pesadelo
eu brigava
com as iaras
presas
nas águas.

...
calo no pranto
desalento paraense
jambu de lágrimas
arrastadas
beijo de goma
laca
tua cocaína
era a escrita.
...

eu deslizei
virada serpente
d'água.
enrolei no teu pescoço,
arrulhei no teu ouvido,
senti teu cheiro
minha língua no ar
eu, eterna pedinte.

...

meu pecado original
é te amar.