domingo, 8 de novembro de 2015

Cartas na mesa

a porta da sala estava aberta, e a barata entrou, voando. comecei a gritar com ela, escorracei-a de casa. eu e o baygon. unimos forças. gritei como se meu grito fosse matá-la. morre! morre! morre agora! desgraçada! sua puta imunda! pisei num fósforo e tomei um susto, achei que fosse outro bicho imundo. corri com o veneno na mão. meu dedo ficou doendo de apertar aquele gatilho que libera o veneno enquanto ela cagava na parede. eu cheirei o veneno também. a barata me olhou. estávamos as duas feito baratas tontas. nos apaixonamos. estou abraçada com ela agora e vamos dormir juntas. ela me chama de K. e eu a apelidei de Kafka. enchemos a cara de baygon e ela apagou. fiquei morrendo de dor de cabeça. está passando um filme sobre poker. estou copiando uma estrutura textual de um cara famoso.
bem clichê.

é tudo mentira. eu matei a barata. não vou nem dormir na sala hoje, o cadáver dela está lá ainda.
e eu não sei juntar corpos. não sei juntar cadáveres.