domingo, 1 de novembro de 2015

riff

Ando em círculos no texto para não deixar as perguntas fugirem entre as pontuações.
Cada ato falho é um passo contra mim. Um passo em falso direto pro abismo. Será que ele sorrirá?
Ser desvendada, encarar o mofo que o choro deixou nas paredes do corpo? Sem austeridades.
Astuta, mantenho silêncio e me escondo em amenidades. Descrevo o escudo de Odisseu. Quatro vezes.
Em vão, meus olhos gritam no escuro do teatro. O monólogo infinito que ele vai roubar. Vai roubar.
Eu sei que você escuta a decepção das paredes, das cortinas, meu deus!, as janelas sorriem de escárnio. A gente tentando decorar os aspectos infalíveis da vida. Tudo mentira.
Não é a primeira vez que atrapalho teu sono. Eu era a insônia das outras vezes, assumo a culpa toda de uma vez e, sim, eu me perdi do que estava falando. Deixa eu voltar?
Morro de segurar as pálpebras abertas dos teus sonhos, aguardando meu nome aparecer no teu pensamento.

Passo o filme até o fim. Já vi.

Nenhum comentário: