terça-feira, 10 de novembro de 2015

Sobre não dormir

Talvez meus olhos se fechem, talvez.
não, não fecharam
embora pesem.
Duas toneladas de olhos apimentados.
Duas pernas moídas.
Dois braços cansados.
Talvez meus olhos se fechem agora. Não.
Ainda não.
Uma da manhã ainda há esperança.
Três e já desisto.
Cinco e já estou fazendo um litro
de café.
E separando a roupa.
Às sete, estou saindo.
Talvez meus olhos se fechem, talvez.
Não, não fecharão
embora pesem.

Meus olhos rolam até
a aula de morfologia
e ficam cegos.
Não durmo.
Não.
Não durmo.