segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

À tua garganta

Há muito o que escrever
porque existem teus olhos fundos
porque existem as olheiras castanhas
porque existem tuas mãos...

Há muito o que dizer
sobre tua garganta inflamada
da vontade inteira e pesada
de falar, falar e falar

e tirar estas máscaras
da cara, da voz
e arrancar as armaduras
(mas cadê coragem?)

Há muito o que dizer
Não por mim, que já disse tudo
ou quase
do que queria

Mas pelas tuas inflamações
às quais, me limito a ouvir
em silêncio moroso
nos meus sonhos

e no balancear da brisa
melodiosa
das lacunas entre teus
acordes.