segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Joguete

Cá estou eu
no papel, despudorada
desejando o que não me pertence.
Protege-me o segredo que guardei
e todo mistério por trás do teu nome.

Ela é tão linda... Contralto de orgulho.
A loira música brindando a noite
com a música brahmânica de sua casta vil.

Enquanto eu
eu sou o resto de uma madrugada mal dormida
uma saída mal explicada no meio do incêndio

eu sou o espelho que desfaz tua desdita
o amargo da água sagrada...
Eu sou a carne podre
presa no dente torto
de Copacabana.
Uma cárie social.

Não sei a diferença entre mim
e um si bemol.
Nem se um ré menor existe...
Minha voz reverbera um buarque
bêbado. Elis já está morta.

Minhas mãos nada delicadas
meus mil motivos para não sorrir
Só sei de cor umas três músicas
e nenhuma é alemão.
Só canto em português errado
de propósito mermo.

Enquanto meus textos nascem sob as porradas
de um ônibus violento
lotado... em alta velocidade,
meu coração já está lá fora.
Bem longe.

Nem continuo estes versos
por desânimo
por qualquer coisa...
Talvez eu peça desculpas um dia.

Talvez decida
que eu é que as mereço.
Por tudo.