segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Piedade das águas

Depois daquela noite, não sei mais o que me aflige ou se algo é capaz, ainda, de me tirar do prumo. O que vi foi como se o teto da casa tivesse me caído na cabeça ou como se tudo desabasse e eu, soterrada na cena do beijo, estanquei as lágrimas como quem faz um torniquete. Estou num quarto, ainda cercada de você.
Depois daquela noite, não sei o que me desespera porque nem consigo derramar lágrima que seja. Escondo-me nestas palavras, atrás de cada letra meu coração pulsando firme, respirando em cada pausa branda e segurando a dor no peito e a vontade de me jogar dessa janela grande sem grades.
Esbarrei em você umas três vezes... Não faz diferença.

Depois da outra noite, minha esperança é que o amor acabe.
E eu vou à praia, torcendo pro mar lavar minha alma, torcendo pra te esquecer.