terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Se

quando eu chegar no fim
eu
vejo sempre como digo eu
eu
tantas vezes esse eu
persecutório
olhando eu ali
por detrás daquela cortina
e todas
acusatórias
listas de obrigações estabelecidas
e deveres com pátria, família e identidade
matérias.

eu julgo
hirta e eu
andamos de mãos dadas formando
paredes
de eu
fora do retrato do casamento
eu no rio de janeiro
perdido entre o eu
nas sementes das tuas canções
o outro que me reflete
projeta no céu
meu asfixiamento
e julga estar
totalmente correto
eu concordo com as afirmações
todas estão corretas
garanto meu silêncio
dentro daquele perfume da manhã vazia diante da tua janela
flutuando

voltam os textos longos
esqueço tuas músicas
voltam os textos repetitivos
sem diamantes de originalidades
mas repetições básicas
de estruturas pobres
de quem sabe

que tudo de melhor já foi feito
escrito
dito
dito
dito
dito
e eu deveria amar o silêncio
mas ele só me faz querer
me afogar.