domingo, 13 de dezembro de 2015

Tirânica

lágrimas esperam até o momento
em que tua voz começa
a invadir meu peito
flecha de ponta envenenada
melancolia abafada
madrugada de julgamentos
voltando a mesma música trinta vezes
no coro do início
estigma e mata
olhar meu que tem inverno
e é
espelho de lugares impossíveis
as flores deprimidas entre os dedos
um cheiro de casa fechada
poeira é acalanto de abandono frio
e repito tua voz mil vezes
e pranteio tua ausência
feito penélope
sem colcha pra bordar
teu nome, tua obra, teu desafio
as lágrimas esperam até o sangue
jorrar da mão esquerda
e tua voz me corta por dentro
enquanto as sereias emudecem.
os cacos de meus gritos
vidrilhos reticentes em dó
eu, a estraçalhada
meu corpo em choro estilhaçado
santa teresa do desejo
imponderável
de amanhecer nas praias..

guardo teu violão esquecido na cama fria
e na beira, eu aguardo
aguada
pela tua volta.

Afogada de tua ausência
sufoco
em teu vazio.