quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Sob o sono dos séculos

Finda o entardecer
e, outra vez, aguardo
o cair silencioso
da noite.

À espera das novas lágrimas
pelos velhos motivos,
adormeço. Insensível à grande lua
que me encara

meu sono sagrado
se agiganta.
Na morna palidez das horas
os sonhos, baús enterrados em lama
de recordações estridentes,

fazem apenas o eterno trabalho
de torturar minha alma.
Enquanto isso, de cor
recito os versos que ela
cantava:

"Ó, amanhecer divino,
como eu gostaria
de ser tragada pelo sol..."

Mariana Belize


PS: O título foi roubado de Chico Buarque de sua canção "Rosa dos Ventos", eu acho.