sábado, 23 de janeiro de 2016

Vigésimo segundo andar

foi como eu disse
corto os versos assim
que é como respiro
pra você sacar o desespero

espera
é, volta aqui
não, deixa
não há o que fazer

foi como eu disse
corto a vida em tiras finas
que é como ferir uma pele
assim como a minha
pra você sacar o desespero

não adianta se as portas estão
fechadas
e a respiração entupida
tenho medo destes versos
e nunca falo a verdade

controlo tudo.
e agora calo
o princípio fundamental
escondo a pedra filosofal
e me deito na rua

pra você sacar o desespero.

tenho medo dos meus versos
e dos alheios
quase não leio poema
nem o teu
confesso.

abro a janela
e me atiro
pra você sacar o desespero.
abro a janela e me atiro
pra você sacar o desespero.

abro a janela e me atiro pra você sacar o desespero
e me dar
um tiro.