segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Sem dizer adeus

A memória é implacável, mas eu esqueci sua voz. Não te ouço há três meses, mais ou menos. Eu deveria saber as horas e os segundos e os minutos da tua ausência sonora mesmo que isso doesse tanto que nem conseguisse pensar. Esqueci também dos teus olhos e das tuas mãos. Deveria esquecer de tudo mas seu fantasma persiste em detalhes inúteis que meu dia traz. Às vezes, encontro você no café da tarde quando, sem querer, lembro dos teus cabelos tão pretos... Outras vezes, você se esconde no meio dos meus cordões, anéis ou naquele brinco que comprei no mesmo dia que te vi pessoalmente.
A memória é implacável e vingativa. Quanto mais tento me livrar de tudo
que me faz lembrar
mais ela insiste em fazer
você
estar
aqui.

Não sei dizer adeus. Apenas estes clichês infalíveis em me obrigarem a lembrar
de ti.