quinta-feira, 3 de março de 2016

Outra noite

rasguei tua dedicatória
mas ainda sobraram as fotos

aqueles fantasmas martirizam a memória
durante a insônia

não ouço mais tua voz pequena
mas ainda me sobram todos os teus divinos silêncios
de pedra

e nossas perdas
entre as passagens ocultas dos corredores
eu segurando uma garrafa

você com uma cadeira mais pesada que o silêncio
incômodo
das coisas se ajeitando por si mesmas

queimei tuas anotações de filmes que eu deveria ver
mas só depois que assisti todos
e decorei cada 
fala
que poderia ser tua
na boca do personagem anti-herói
atormentado.

e nossas perdas foram avançando a cada convite
que não atendo
e a cada mensagem
que você digita às cinco da manhã
mas não envia

ou aquela velha desculpa da febre enlouquecedora...
aliás, você já ficou bom da garganta?