terça-feira, 22 de março de 2016

Repetição

Não tenho lágrima.
Julgo teu abraço como uma prisão
e desisto.
Vou pro mar.
No batalhar das ondas,
abandono o coração.
Depois, volto.
Dou na tua cara, grito, esperneio
te xingo.
Saio correndo.
Tomo uma cerveja no meio-fio...
acendo o cigarro,
viro fumaça
e o ódio passa.

Mas quando retorno
o mar já está amanhecendo...
e meus relâmpagos já arrefeceram.

Seus olhos disparam contra o sol
e encontro na areia
os pedaços quebrados do meu tormento
e desisto.

Te dou as mãos. Te dou o beijo.
Mas me despeço.
Não tenho lágrima.