quinta-feira, 10 de março de 2016

Salmo 1

                                                                                  Para Gilka Machado
Aquele que habita no esconderijo da Poesia,
à sombra de suas flores de aço descansará.
Direi dela: "Meu refúgio e meu eixo, Poesia Minha,
Mãe na qual confio."
Porque ela te libertará dos laços febris e da peste da vaidade forte e letal.
Ela te cobrirá e, dentro dos seus abraços estarás seguro, Poeta.
A tua verdade divina será farol e escudo.
Não terás medo da loucura dos dias, nem do veneno da noite inquieta.
Mil prêmios cairão à tua esquerda e dez ofertas totalmente dispensáveis à tua direita
Mas tu não serás atingido pelo orgulho. Nem incharás teus olhos inutilmente.
Porque com estes mesmos olhos embaçados de lágrimas contemplarás o teto do teu próprio quarto em silêncio.
Os criminosos estarão em guerra lá fora.
Mas tu, Poesia, é o meu refúgio.
Nas tuas rimas, eu fiz minha morada.
Nenhum mal te sucederá os passos incertos, nem praga nenhuma chegará na tua cama.
Somente a Ingratidão, a pantera já conhecida.
Porque a Poesia dará ordens aos seus poetas e que nós nos seguremos nas nuvens para não tropeçarmos em na pedra do meio do caminho.
Pisaremos em leões devoradores e serpentes caladas, mas aos nossos pés ficarão como cordeiros...
Os poetas são os lírios do Mestre.
Porque tão encarecidamente, eu te amo, Poesia e sou tua. Eternamente.
Também tu me livrarás dos maus editores e dos plágios malignos...
E se me colocarem na beira do abismo, tu me farás colher a fina flor do Lácio inculta e bela.
Estarás comigo na Angústia, e dela você vai me salvar cantando aquela música antiga e brega...
Tu me darás longuíssimos dias... e, mesmo entediada, eu saberei:
estou salva.