quarta-feira, 9 de março de 2016

Segunda carta

Amado,
agora que o sol já é rei posto e a dona da noite marcha soberana pelos céus, eu me inquieto e secretamente procuro tua voz. Vou pra fora de casa, sentar no chão e olhar o céu enquanto procuro nas estrelas algum brilho que me lembre dos teus olhos. Mas que nada!
Em nenhum céu nascerá estrela que brilhe como tua íris a me fitar nas lembranças queridas, embora amargas da saudade e do desespero. Continuo a trançar meus cabelos e murmuro a canção do meu exílio dos teus abraços.
O amor tortura e é a colherada de fel na minha escrita entediada e repetitiva. Te escuto baixinho, tua voz é a brisa cálida entre as folhas e sempre será meu segredo o poder de te ouvir. Dói te amar e dói te ouvir. A distância atormenta.

Sou uma mulher de clichês. E todo poema é igual ao anterior. Toda prosa já nasce cansada. A letra treme mas sem espanto. Meu coração também estremece. Tem as paredes frágeis e insisto em esconder você aqui. Quem me dera guardar tua voz e teus silêncios, tão belos, dentro de mim.

Eu mesma me tranco no silêncio possível. E no adeus nunca dado.