quarta-feira, 23 de março de 2016

Vestido

meu poema infantil
ama você do tamanho do mundo
o verso tira um pirulito do bolso
da rima
e todo meu corpo, deitado no meio
do chão da sala, escuta
teu berro sofrido no quarto
ao lado.

já sei que você
não sabe mais de como sorrir
e a televisão ligada jogou um balde
de água fria
no teu sentir.

eu olho pela fresta do teu olho
e me escancaro na tua retilínea
retina:
sou a menina dos teus olhos
e você, meu bebê,
só precisa de um pouquinho de açúcar
nesse teu pãozinho

a vida.