domingo, 3 de abril de 2016

Iguaçuano de ferro

Ao F.P.
Alguns séculos sofri em Nova Iguaçu.
Mais importante, nasci em Nova Iguaçu.
Por isso sou triste, vaidoso: de doutorado.
Noventa por cento de laranjais nos vales.
Cem por cento de acidez nas almas.
E esse distanciamento do que na vida
é suavidade e silêncio.

A vontade de amar, que me paralisa o
corrigir de provas, o dar as mil notas,
vem do Alto da Posse, de suas manhãs quentes,
das mulheres inchadas, dos horizontes estranhos.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte
inutilmente na insônia braba,
é doce herança iguaçuana.

De Iguassu não trouxe nada para te oferecer:
nem a pedra que ficou no meio do caminho,
nem a flor que furou o asfalto do meu destino,
nem a náusea que me asfixia o sonho.
Essa ironia, essa olheira.

Tive mãe, tive pai, tive irmãos maiores que eu
caçula que fui.
Hoje sou funcionário público!
Iguassu agora é Nova
e sem os dois "esses"...
E sem acento no "u", que nunca houve, mas insistem em utilizar.
Nova Iguaçu é só uma rachadura na  minha parede.
De qualquer jeito,
como dói!