quinta-feira, 5 de maio de 2016

A interpretação dos sonhos

Ao Freud, meu mais odiado psiquiatra

Fui pra prosa porque tenho umas coisas pra dizer meio a seco. A estrutura do poema me atrapalhou a respiração, deixando a ansiedade tomar conta. Agora respiro melhor, embora não saiba, ainda, usar as vírgulas. Uma vergonha pra uma mulher de Letras. Agora você vê... que coisa triste.
Ontem, estudei morfologia dentro da biblioteca e resolvi que ia contar pro Drummond como era meu cotidiano pra ver se ele levanta daquele posto 6 e vem me fazer companhia já que estragou a vida toda e fica só pegando chuva sem virar página de livro.
Tenho umas lembranças dele, até uma foto, acredita. Fico rindo da minha cara na foto, toda impressionada de estar ali com alguém tão grande. Que triste. Eu também não virei as páginas. Estão todas coladas e eu procurando alguém igual a ele, igual a outro, igual a um outro que vive aqui na minha cabeça, depois um diferente de todos eles. Mas a imagem tirana insiste. E.
Faço pulseiras porque não sei crochê. Ouço umas músicas que acho que você gosta. É difícil gostar de progressivo sem você pra me explicar porque os homens inventaram isso. Quase falei teu nome aqui, ai meu deus. Já pensou a merda que seria. Outra vez. (risos) Deixa te contar: ontem quase fui atropelada. Pensei logo em se você iria no meu enterro ou choraria por mim, já pensou? Pensei em você olhando pra mim e eu querendo levantar do caixão. Foi um pensamento engraçado, nadinha de trágico. O meu vestido de morta era horrível. Tinha pouca gente e ninguém sabia encomendar meu corpo. Uma tristeza. Posso te chamar de "amor", mesmo sendo ridículo? Já chamei no meio dos seus comentários sobre não posso dizer o assunto, mas talvez você saiba aquelas malditas regras de concordância mesmo.
Eu finjo que sei, até hoje finjo, sem vergonha nenhuma, embora...ah...lembro de seus discursos, vou fazer um livro imenso só deles, posso? Você é um estúpido, caramba. Acabei de descobrir que posso te xingar aqui. (mais risos)
Amanhã te encontro naquele corredor sem portas dos pesadelos recorrentes. Sempre tento abrir as portas...

Mas amanhã tiro as chaves de você, víbora tirana. Um dia, quem sabe, eu te sequestre e torture conforme prometido.

Talvez.

Mariana Belize

2 comentários:

Fernando Vieira Peixoto Filho disse...

Tortura?... Sequestro?... Que orgulho de uma menina que escreve tão bem!... E fale mesmo o nome do seu amor! Ninguém tem nada com isso não!... Manda todo mundo pra...

Mariana Belize disse...

Sequestro e tortura, imagina só? Um amor sequestrado, que absurdo! HAHAHAHAAHAHAHAHAHAAH Escrevendo bem? Nossa! Essa é boa, essa é boa HAHAHAHAAH

Não vou falar o nome do meu amor. Ele já sabe que é. Isso basta pros dois. Pra mim e pra ele.

Valeu por comentar. Abraço!