quarta-feira, 4 de maio de 2016

Castelo

Na madrugada, nada me basta. Quero andar, beber, gritar, dançar. Ambivalente e antitética. Ser possuída. O fogo de Dionísio no vinho branco. Entra pelas frestas, ó cálida lua. Faz-de-conta, Bacante. Quero cobrir meus cabelos de flores. Beber vinho dos cabelos Dele. Ser mulher embriagada de alegria e cantar até as cordas estourarem. Entrar em fúria nas cidades e engolir pedaços de Penteu.
Dançar sobre seu sangue azul. Sentir seus olhos de pão de açúcar esmigalhados na minha boca.

Vivo presa no delírio. O cotidiano pisa. Comida, casa, cama. Não me restam deuses. Não descanso.
Quero qualquer coisa que não existe. Quero.

Quero tudo mas estou cansada.

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