quinta-feira, 5 de maio de 2016

Flores sem náusea

Ao Drummond sentado no posto 6.

Homem, você vai entender.  Não hoje, nem amanhã. Mas naquele dia que a chuva bater forte na janela e você quiser pular nela. Homem, eu lembro de você me falando "antitética". Eu sei, ainda hoje, o quanto aquele dia pesou. Pra mim. Nem adivinho o que você pensa, todo esotérico. Não adianta nem me abandonar porque você entende algumas referências. A psicanálise nem te dói mais que eu sei. Ainda tá procurando outras dores? Ou só o conforto perdido do cotidiano frenético?

Homem, me ajuda a entender alguma coisa. O verbo do verso. Aquele Drummond que, até hoje, não sei o que quer dizer. Homem, a literatura é que te salta aos olhos. Sempre. Homem, aqueles corredores que a gente sonha... Cheio de portas que nunca abrem. Eu nunca tenho as chaves. O Freud te deu alguma coisa diferente? Alguma semiótica? Sim, eu sei que escrevo os porquês todos errados dentro de frases mal feitas. Já sei que não sou artista, meu bem. Homem, onde estão as respostas?

De quatro a cinco textos por mês são diretamente ligados a experiências que tive com você. Vai me processar?

Roubo tuas melhores frases, uso e depois jogo fora. Durmo e uso tua imagem pra ter sonhos. Sem autorização. Já te matei mais de mil vezes. Agora vai, tira uma licença de dois meses e me processa.

Ou então me convida prum café filosófico. Prometo que não mordo, homem.

Desde já, agradeço a atenção.

Mariana Belize

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