quarta-feira, 4 de maio de 2016

Teu léxico

Gritei teu segredo no abismo dos teus olhos. Nada ouvi. Enquanto a noite protege os ladrões, eu roubo teu livro de morfologia da estante. A árvores retorcem os corpos enterrados nos edredons. Quero escrever a madrugada inteira e amanhã estar exausta de você. Grito teus segredos no abismo dos teus olhos. Nada soa. A parede da tua casa protege teu sono. Vejo teus pesadelos tomando forma e indo para a areia da praia. Não calo meu grito tirânico. Acordo teu peito. A pulsação reencarnada. Acorda, pranto. O corpo cansado não desiste do alívio, vai ao banheiro, lava a cara bonita. Entra em delírio ao encarar o espelho. Vê meu rosto. O arbítrio do destino implacável. Ganho a guerra, quebro tuas represas. Chora, homem. No princípio, o suicídio. Mas que nada! Isso é só o fim.

Isso é só o fim.

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