sábado, 4 de junho de 2016

Eu

esperneio no quarto escuro
discutindo com o universo
um chilique mesmo
bem desagradável

grito, choro, rasgo as roupas
arranco os cabelos
bato a cabeça na parede
o universo em chamas

arranco minha voz da garganta
até ela desistir e sumir
os cabelos jazem no chão da cela
o universo em desencanto

lágrimas inundando meu corpo
afogando todas as minhas ideias
um chilique mesmo
de acordar todos os vizinhos

de repente, o universo
do silêncio arrebenta em pranto
e eu me calo:
somos dois cansados.