terça-feira, 7 de junho de 2016

Retorno à Ipanema

os olhos pesados
pela rua, rolam
desembestados
procuram a praia.

enquanto isso
os homens falam
sobre cultura contemporânea
na mesma calçada
meninos dormem
na porta dos bancos
meninas trincam os dentes
meus olhos cansados
procuram a praia.

era na outra placa
que eu devia ter
virado
era a outra esquina
que eu devia ter
visto

nunca achei minha cabeça
nem nas curvas do rio
nem nas ondas dessa praia
imaginária

não troco meu belford roxo
pelo lago fedorento de ninguém
teu abraço vazio, teus olhos fundos
nada demais, tudo repetido

amor de clichê
beleza do óbvio
eu ando de ônibus
você de automóvel

ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos
sem a baixada fluminense
eu nada seria.

hoje retornei à ipanema
para não voltar lá
nunca mais.

Mariana Belize