segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A bela e a fera

Para Beatriz Pinzón Solano

Pai e Mãe protegem
e guardam do Mundo,
a princesa...
encurralada
a esbarrar consigo mesma.

O espelho não mente
porque é feito de silêncios.
Mas a voz do povo é a mais cruel
calando inclusive
a voz de Deus.

De olhos vendados,
um amor inconfundível...
porém
em verdes águas marejavam
verdades e enganos...

Descobre o plano,
antecipa o combate.
Luta bravamente
de coração sacrificado.

Tira os óculos,
em Cartagena se esconde
sob véu angelical....

Ouve o eco
da guerra que ainda virá:
volta, Sereia ressuscitada...
volta, Sereia silenciosa...

Ela retorna, Encantada,
mulher parida das Ondas...

De olhos abertos,
o amor vazado
sem enganos.
Um francês anuncia
mas o paraíso é negado.
As mulheres em coro
se arrebentam.
O fim anuncia
responsabilidades e a cura
dos remorsos.

Beatriz o julgamento fecha.
Condena seu algoz
à mais bela das prisões:
o perdão.
E se casa com o tirano
antes, arrependido
mas agora

para todo o sempre
Do-ma-do.

Mariana Belize

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