sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Patmos


Poetas morrem sufocados
pelas hóstias bravas
da própria inocência
Corpo de Cristo
suave e brando
mas que enforca
o poeta
em seu pranto
Mística caverna
esmagada pelo
próprio encanto
o poeta sofre
sob a lua
quando a pedra
sobre a cabeça
pesa
[Cordeiro de Deus
que tirais os pecados do Mundo...]
Livrai-nos do Mal
em silêncio.
Livrai-nos
dos nós.
[Quem viu o pulsar violento da madrugada
dentro do meu peito implodido?]
Desde ontem o rosto da noite
fechou os olhos para mim:
a poesia já não nasce mais.
Assim como o Amor me disse,
eu sei
que o Verbo me lê
silenciosamente.
Mariana Belize

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