sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Voltei a levar escritores para passear
E sob a sombria perspectiva
Passa a brilhar na têmpora esquerda
Uma nesga de luz, uma estrela
adornando toda viagem
O deslocamento covarde
Tirânico
Esconde apenas a fuga de
qualquer encontro de olhares numa fila tediosa
Sinto arder as pestanas esguias
Enguias lascivas de fúria e encanto mórbido
(E falo difícil para esconder o fato)
O escaravelho brinca sob minha pele
Catando as potentes flechas obscurecidas
Dos observadores amargos
(E escrevo difícil para confundir o malandro)
os olhos que me avizinham
os que me querem manca
os que me querem fútil
os que me querem trôpega
os que me querem... morta
são apenas reflexos pálidos
de uma sala encantada
de espelhos.
Mariana Belize
(Para Theodor Adorno, depois de longo tempo...)

Nenhum comentário: