quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Diário 2

"Nunca subestime o poder da negação."

Nada a ver. Eu sempre disse sim. Assumidamente sincera.
Mentira.
Você usava o Freud na sala de aula feito um maníaco. As frases saíam quase automaticamente. Eu lembro de algo, mas logo esqueço. Só com você as memórias são verdadeiras. O resto é pieguice de pedir perdão e dizer que errei sem verdade alguma. Os olhões castanhos engambelam muita gente ainda. Menos seu Freud, carta escondida na manga. Ninguém sacou.

Ainda se sente no lugar errado? Aquele tédio como um tapete vermelho indo de uma sala a outra? O quadro quebrado. Só a sintaxe faz sentido.
Dentro do mundo, perfumo a existência com as lembranças engraçadas. Depois tudo ficou trágico e eu prefiro esquecer. De você, guardo as idealizações com carinho numa caixa de Pandora. E gosto mesmo sendo terrível. Amargo homem, que bicho te mordeu a memória?

Mentira. O homem encharcado da hipocrisia alheia se torna o monstro que todos negavam. O espelho incalculável, o bode expiatório. Sei que inventaram muita coisa e você sempre foi o inimigo perfeito pra eles baterem, inclusive eu bati também. mas eu bati de ódio. Você sabe que não perdoo ter sido deixada de lado. Mas é isso e pronto. Eu assumo, você sabe. Tudo certo.
Tudo certo?

Tem algum erro aqui, tem? Você está aqui. Mora aqui. Come algo aqui. Eu sempre deixo um pedaço meu aqui. Não joga a carne fora.
Não dessa vez.

Eu sei que é você e você sabe que sou eu. Isso basta.

Isso basta?

Mariana Belize

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