sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Faca

a mariana menina
era via de regra.
Em disciplinada oração
as mãos trêmulas,
a fé lhe cruzava o corpo inteiro
e eriçava os pêlos,
cobria de suor a criança têmpora
e o fervor subia pelas pernas.

A espinha dorsal da letra: a caneta
de sangue, o dedo em riste,
a hóstia tirana do verso.
O olho claro de brilho surdo,
tirânica criança de suave
em suave crise.

A adulta menina
procura
o estágio supremo de crescimento
e desespera
queima em surtos
Mas cria.

E crê
que o dom manifesto, o grande jardim da palavra no Olho de Cassandra é a loucura tingida de vermelho - mulher abafada - uma crítica indivisível.

Ingênua no suave falar,
ainda que a palavra seja faca fervente de lâmina escarlate
E fure bem dentro, não do outro peito.
Mas o correto e
próprio.

Mariana Belize

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