terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Segredo

Vivo no passado todos os erros que cometerei.
o presente que me restará, não sei. Umas vírgulas e estarei bem.
Não sinto nada. Isso é um problema.
Às vezes, choro enquanto monto outro personagem.
Nesse intermezzo não sinto nada. A lua é só a lua. Não há lobos. O latim me persegue, algo assim.
Mas depois nascem as flores, colho os frutos e consummatum est.
Quando a cruz desce, no próximo ano, é hora de regar os corpos com leite e mel
desenterrar da memória as cantigas... Recolher as espigas.
E depois de agosto, as coisas começam a desandar. O vidro embaça, a voz se intranquiliza. Ossos quebram.
A máscara descolore.

E outra vez começaremos a construção.
Gritaremos Feliz Ano Novo!
E mais uma máscara está feita.

Enterrada a memória, quem saberá?

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