sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

"transcender a própria memória"

versos que me aproximam da mentira
e, de lavada, só a língua me abarca
na imensa sujeira destes tristes trópicos.

o medo de escrever e como
o além de mim
se torna erro,
quando o homem que é sempre
homem,
me aponta o dedo
e celebra:
Letra de mulher!

como uma acusação que se solidifica
é meu livro nunca editado,
ainda que vivo, belo e volátil,
permanece sacralizado na biblioteca dos meus tempos
na pretensiosa imaginação
da ansiosa alma.

Viro a página de versos jamais escritos
e escrevo algo
como uma lembrança:
Eu esqueci o que dizia.

E acordo no outro dia como
uma pluma.
Livre de travesseiros, de sonhos
e como não!,
de qualquer lamento.

Mariana Belize

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