sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Calunga

a morte é um peixe:
sem pálpebras
observa a humanidade.
dorme, seus temíveis olhos
mantendo-se como escancaradas janelas
e joga seu véu sobre a cidade.
uma escama dela se
esparrama
sobre meu olho
e já era.
Envergo a coluna sob a obsessiva
Lua.
Ela, a que canta para a Morte
mas, para si,
não resta nada.
A noite calada é neutra
pétala da Lua...
se doura nas lágrimas dos insones poetas...
se machucando em cada verso branco.
De dentro, seu silêncio me escolhe
e desenha em mim estas histórias.
Eu, Matinta-Pereira.
Mariana Belize

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