domingo, 30 de abril de 2017

Balada de noite vaga

essa mulher, esse desespero. não há encanto, a solidão reside naquela panela vazia e tirana, suja.
essa mulher, esse desespero. não conheço seu perfume, mas a dor é tão imensa e mesma em todo canto.
essa mulher, essa fúria. trago nas mãos duas tochas e vigio para que a fogueira acenda. E permaneça.
essa mulher, essa fúria. trago as cabeças dos homens, abertas, corpos estirados. os olhos apagados.
essa mulher, essa tempestade. o pranto abafado no banheiro de madrugada. a insônia da tristeza.
essa mulher, essa lágrima. não assina nada, não assume nada, odeia, odeia, mas carrega o traste.
essa mulher e aquela. todas.
essa mulher e todas: desespero, fúria, tempestade e lágrima.
essa mulher, somos.

Mariana Belize

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